quarta-feira, 31 de março de 2010

A Redenção

Chegamos à Páscoa e recebemos um bombardeio de informações para termos uma páscoa com mais sintonia com a nossa família, com aqueles a quem amamos e com aqueles que trabalhamos ou temos uma convivência mais próxima. E fiquei a observar uma propaganda em que dizia: “Páscoa sem ovo de chocolate não é páscoa”.

Achei interessante, achei no mínimo curioso, toda a nossa redenção estava então capacitada, destinada, ou melhor, está sendo atribuída a um ovo de chocolate. Há tantas produções cinematográficas caríssimas relatando, mostrando com riquezas de detalhes o sofrimento de Jesus na Cruz para a nossa redenção; e hoje com toda a nossa inteligência atribuímos a “redenção” à felicidade de uma páscoa a um ovo de páscoa; você há de convir comigo que é no mínimo curioso.

Vamos relembrar um pouco, desde que Israel partiu do Egito, há cerca de 1445 anos antes de Cristo, o povo Hebreu, posteriormente chamado de “judeus”, celebra a Páscoa todos os anos, na primavera em data aproximada da sexta-feira santa. Depois de os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, passarem mais de quatrocentos anos de servidão no Egito, Deus decidiu libertá-los da escravidão. Suscitou a Moisés e o designou como o líder do êxodo. Em obdiencia ao chamado de Deus, Moisés compareceu diante do Faraó e lhe transmitiu a ordem divina: “Deixa ir o meu povo.” Para conscientizar o Faraó da seriedade dessa mensagem da parte do Senhor, Moisés, mediante o poder de Deus, invocou pragas como julgamento contra o Egito. No decorrer de várias pragas, o Faraó concordava em deixar o povo ir, mas, a seguir, voltava a trás, uma vez a praga sustada. Chegou a décima e derradeira praga, aquela que não deixaria aos egípcios nenhuma outra alternativa senão a de lançar fora os israelitas.

Deus mandou um anjo destruidor através da terra do Egito para eliminar todo primogênito, desde os homens até os animais. Visto que os israelitas também habitavam no Egito, como poderiam escapar do anjo destruidor? O Senhor emitiu uma ordem especifica ao seu povo; a obediência a essa ordem teria a proteção divina a cada família dos hebreus, com seus respectivos primogênitos. Cada família tinha de tomar um cordeiro macho de um ano de idade, sem defeito, e sacrificá-lo ao entardecer do dia quatorze do mês de Abibe; famílias menores podiam repartir um único cordeiro entre si.

Parte do sangue do cordeiro sacrificado os israelitas deviam aspergir nas duas ombreiras e na verga da porta de cada casa. Quando o destruidor passasse por aquela terra, ele passaria por cima daquelas casas que tivessem o sangue aspergido sobre elas. Daí o termo Páscoa, que significa “pular além da marca”, “passar por cima”, ou “poupar”. Assim, pelo sangue do cordeiro morto, os israelitas foram protegidos da condenação à morte executada contra todos os primogênitos egípcios. Deus ordenou o sinal do sangue, não porque Ele não teria outra forma de distinguir os israelitas dos egípcios, mas porque queria ensinar ao seu povo a importância da obediência e da redenção pelo sangue, preparando-o para o advento do “Cordeiro de Deus”, que séculos mais tarde tiraria o pecado do mundo.

Naquela noite específica, os israelitas deveriam estar vestidos e preparados para viajar. A ordem era para assar o cordeiro e não fervê-lo, e preparar ervas amargas e pães sem fermento. Ao anoitecer, portanto, estariam prontos, para a refeição ordenada e para partir apressadamente, momento em que os egípcios iam se aproximar e rogar que deixassem o país. Tudo aconteceu conforme o Senhor dissera.

A Páscoa na história Israelita: a partir daquele momento da história, o povo de Deus ia celebrar a Páscoa toda primavera, obedecendo as instruções divinas de que aquela celebração seria “estatuto perpétuo”. Era porem um sacrifício comemorativo, exceto o sacrificio inicial no Egito, que foi um sacrifício eficaz. Antes da construção do templo, em cada Páscoa os israelitas reuniam-se segundo suas famílias, sacrificavam um cordeiro, retiravam todo fermento de suas casas e comiam ervas amargas. Mais importante: recontavam a história de como seus ancestrais experimentaram o êxodo milagroso na terra do Egito e sua libertação da escravidão do Faraó. Assim, de geração em geração o povo hebreu relembrava a redenção divina e seu livramento do Egito. Uma vez construído o templo, Deus ordenou que a celebração da Páscoa e o sacrifício do cordeiro fossem realizados em Jerusalém.

Que maravilhoso seria se nós sentássemos à mesa e constássemos aos nossos filhos e aos nossos netos a história da nossa família, a história da redenção verdadeira através do sacrifício da espiação de Cristo Jesus.

O Antigo Testamento registra várias ocasiões em que uma Páscoa especialmente relevante foi celebrada na cidade santa. Nos tempos do Novo Testamento, os judeus observavam a Páscoa da mesma maneira. O único incidente na vida de Jesus como menino, que as Escrituras registram, foi quando seus pais o levaram a Jerusalém, aos doze anos de idade, para a celebração da Páscoa. Posteriormente, Jesus ia cada ano a Jerusalém para participar da Páscoa. A última Ceia de que Jesus participou com os seus discípulos em Jerusalém, pouco antes da cruz, foi uma refeição da Páscoa. O próprio Jesus foi crucificado na Páscoa, como o Cordeiro pascoal dos que nEle crêem.

Os judeus hoje continuam celebrando a Páscoa, embora seu modo de celebrá-la tenha mudado um pouco. Posto que já não há em Jerusalém um templo para se sacrificar o cordeiro em obediência, a festa judaica contemporânea já não é celebrada com o cordeiro assado; mas as famílias ainda se reúnem para a solenidade. Retiram-se cerimonialmente das casas judaicas, e o pai da família narra toda a história do êxodo.

A Páscoa e Jesus Cristo. Para os cristãos, a Páscoa contém rico simbolismo profético a falar de Jesus Cristo. O Novo Testamento ensina explicitamente que as festas judaicas “são sombras das coisas futuras”, a redenção pelo sangue de Jesus Cristo.

Em Êxodo 12 podemos observar os seguintes itens, que nos fazem lembrar do nosso Salvador e do propósito para conosco. 1º item: O âmago do evento da Páscoa era a graça salvadora de Deus; Deus tirou os israelitas do Egito, não porque eles eram um povo merecedor, mas porque Ele os amou e porque Ele era fiel ao seu conserto. Semelhantemente, a salvação que recebemos de Cristo nos vem através da maravilhosa graça de Deus. 2º item: O propósito do sangue aplicado às vergas das portas era salvar da morte o filho primogênito de cada família; esse fato prenuncia o derramamento do sangue de Cristo na cruz a fim de nos salvar da morte e da ira de Deus contra o pecado. 3º item: O cordeiro pascoal era um “sacrifício” a servir de substituto do primogênito; isto prenuncia a morte de Cristo em substituição à morte do crente. O apóstolo Paulo expressamente chama Cristo de nosso Cordeiro da Páscoa, que foi sacrificado por nós. 4º item: O cordeiro macho separado para morte tinha de ser “sem mácula”, esse fato prefigura a impecabilidade de Cristo, o perfeito Filho de Deus. 5º item: Alimentar-se do cordeiro representava a identificação da comunidade israelita com a morte do cordeiro, morte esta que os salvou da morte física. Assim como no caso da Páscoa, somente o sacrifício inicial, a morte dEle na cruz, foi um sacrifício eficaz. Realizamos em continuação a Ceia do Senhor como um memorial, “em memória” dEle. 6º item: A aspersão do sangue nas vergas das portas era efetuada com fé obediente, essa obediência pela fé resultou, então, em redenção mediante o sangue. A salvação mediante o sangue de Cristo se obtém somente através da “obediência da fé”. 7º item: O cordeiro da Páscoa devia ser comido juntamente com pães asmos. Uma vez que na Bíblia o fermento normalmente simboliza o pecado e a corrupção, esses pães asmos representam a separação entre os israelitas redimidos e o Egito, o mundo e o pecado. Semelhantemente, o povo redimido por Deus é chamado para separar-se do mundo pecaminoso e dedicar-se exclusivamente a Deus.

Você deve estar a exclamar, mas que texto longo, Rosângela! Mas se faz necessário no momento em que as coisas começam a ser deturpadas, e você poderá estar ainda a me dizer: Mas, Rosângela, toda a vida teve ovos de chocolate e coelhinhos! O que é isso agora? Pois é, quando somos ignorantes, Deus nos perdoa. Mas agora que você sabe da verdade da redenção você tem o livre arbítrio. Concordo com você, comer chocolate é gostoso, é saudável, mas pára por aí.

Em Lucas 23:33-48 eu vejo todo o sofrimento que Cristo Jesus passou por nós. Leia na sua Bíblia. “E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram e aos malfeitores, um à direita, e outro à esquerda.

E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. E, repartindo as suas vestes, lançaram sortes.

E o povo estava olhando. E também os príncipes zombavam dele, dizendo: Aos outros salvou, salve-se a si mesmo, se este é o Cristo, o escolhido de Deus.

E também os soldados escarneciam dele, chegando-se a ele, apresentando-lhe vinagre, e dizendo: Se tu és o Rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.

E também, por cima dele, estava um título, escritos em letras gregas, romanas e hebraicas: ESTE É O REI DOS JUDEUS.

E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo e a nós.

Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?

E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam, mas este nenhum mal fez.

E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu Reino.

E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.

E era quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até a hora nona, escurecendo-se o sol, e rasgou-se ao meio o véu do templo.

E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou.

E o centurião, vendo o que tinha acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo.

E toda a multidão que se ajuntara a este espetáculo, vendo o que havia acontecido, voltava batendo nos peitos”.

Será, amados, que achamos em toda esta maravilhosa história de Cristo Jesus na Cruz ovos de chocolate e coelhinhos? Ter criatividade é um dom, é saber sacar e comunicar as coisas primeiramente. Mas tem um limite para engeçarmos e colocarmos como verdade a felicidade da nossa páscoa a um ovo de chocolate. O desejo do meu coração é que você tenha uma verdadeira comunhão com Jesus, que Ele venha a lhe dar a Sua redenção.

Que Jesus continue a interceder por mim e por ti junto a Deus, que o Espírito Santos do Senhor venha falar ao teu coração, que Ele venha a te modificar como pessoa sendo você então uma pessoa a cada dia melhor. Melhor junto à tua família, junto a tua esposa, a teu marido; que tu sejas uma pessoa melhor como sogra, como sogro que tu és; que teus parâmetros de felicidade sejam parâmetros de edificação. Que Jesus te abençoe e proteja em nome de Jesus. Amém?


Por Rosângela Bühring
Publicado no Jornal A Notícia do Vale, edição do dia 31 de março de 2010.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vaso de Barro

Certo dia alguém, por quem meu coração transborda de admiração e amor, me deu um beijo no rosto e sussurrou ao meu ouvido: Se de alguma maneira te magoei, eu peço perdão porque não tive esta intenção. E eu respirei fundo e segurei a lágrima porque em pouco tempo de contato a gente se apega e tem aquela nítida impressão de que por toda a nossa vida esta pessoa já estava presente, apenas adormecida para entrar em cena na hora certa. Mas o lugar desta pessoa sempre esteve ali guardado, esperando.

Muito tempo depois eu repeti esta mesma atitude com outra pessoa, que para a qual com certeza eu, Rosângela, não tenho a mesma importância emocional; mas pedi desculpas. E eu talvez não tenha sido tão amorosa, tão carinhosa, mas certamente usei da mesma sinceridade lá da pessoa do primeiro parágrafo.

Tem um ditado popular que diz: Só erra quem faz. E eu sempre fui uma pessoa que me cercando de todas as probabilidades prefiro fazer, realizar do que esconder minha incompetência atrás de uma atitude formal ou passiva. Você vai acertar mil vezes, mas vai ter uma vez, uma vez que alguém vai lhe dizer "você esqueceu", "você não fez", "você deixou de acrescentar", "você poderia ter feito melhor" ou mesmo "nunca se esquece tal pessoa".

Confesso, e acredite, eu sou muito rigorosa, se vou fazer algo, faço o meu melhor e o melhor. Quem trabalha em um veículo de comunicação escrito sabe que tudo que sai impresso antes de ser impresso é lido, relido, analisado para só então sair impresso. Porque em cada edição, cada palavra impressa, cada foto impressa ou não, cada vírgula acrescentada ou ignorada são de muita responsabilidade, sendo a ausência ou presença muito importantes. E este ocultar espontâneo ou este erro involuntário é cobrado, e como é cobrado sem o real entendimento de este ocultar ser por incompetência, uso de má fé ou mesmo descuido.

Então minha posição pessoal é: eu prefiro fazer algo pensado, repensado para depois realmente não dar problemas. E daí vem a minha maneira de ser exigente, ranzinza e, muitas vezes, apegada a coisas pequenas, mas que podem fazer um estrago muito grande. E confesso, eu não estou me escondendo atrás da pessoa Rosângela, a minha profissão me deixou chata, exigente e profissional por demais. Mas apesar de tudo isso tive um esquecimento.

Vou confessar só para você, fiz algo pensando em ajudar, mas no meu caótico entender, no meu pequenino discernimento, na minha pouca sabedoria quis fazer um beija-flor e saiu um urubu. Não me cerquei de todos os lados para aquilo dar certo, e como resultado, fui mal compreendida, mal interpretada. Procurei a pessoa, fui até a pessoa e pedi desculpa. Fui até a pessoa e pedi perdão.

Talvez você pense que eu tenha ficado magoada, melancólica ou deprimida, mas não. Apenas temos de saber o momento certo para pedir perdão, saber o momento certo para perdoar e principalmente a maneira certa de como perdoar.

Durante o caminho em que eu dirigia o carro até a casa da pessoa que fui me desculpar e pedir perdão, me veio à mente a lição da Escola Bíblica Dominical que tinha como título "Tesouro em vasos de Barro". E esta lição estava embasada na 2ª epístola que o apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios, ou seja, 2 Coríntios 4: 7-12: "Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; trazendo sempre por toda parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos. E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal. De maneira que em nós opera a morte, mas em vós, a vida".

Quando eu fiz o estudo desta lição eu comentara com o coordenador da Escola Bíblica, o irmão Nauremir: Esta lição é maravilhosa, é apaixonante fazer o estudo desta lição. Lamentei não ter sido escalada para ajudar na escola bíblica exatamente nesta lição. Mas esta lição ficou latejando no meu coração, e em escala para levar a Palavra minha filha Rafaela disse: Mãe aí está a oportunidade de tu falares sobre ela. Eu relutei e guardei mais um pouco no coração, esperando a oportunidade certa, e agora surgiu o momento, para que esta lição viesse à tona. Para que acrescente realmente na minha vida e venha a somar na sua vida após ler esta coluna.

O ensinamento que Paulo nos deixa é maravilhoso, comparando-nos com vasos de barro. Paulo neste texto nos traz uma lição preciosa de como Deus trata aqueles que o servem. Mostra a fragilidade do nosso corpo físico ou emocional em relação à fortaleza espiritual que Ele nos concede para fazermos a Sua obra. Neste capítulo Paulo usa de uma linguagem, uma ilustração, figurada, ou melhor, usa de uma ilustração metafórica para esconder uma crise interior, para esconder um problema físico. Paulo tinha um espinho na carne e assim está em 2 Corintios 12:7-10 "E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então Ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injustiças, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte."

E Paulo a despeito de todo este sentimento de sofrimento de morte, nos surpreende com um estado mais espontâneo, mais amoroso, e ele então se reveste de uma esperança, de um gozo na Glória e da Glória do Senhor. É interessante a comparação que Paulo faz: ele imagina-se um vaso de barro frágil, contrastando com o poder de Deus, porém um vaso de barro capaz de guardar um tesouro indestrutível manifesto na sua vida, que o capacitava a ser digno, mesmo com a fragilidade física, mas digno de guardar um glorioso, um extraordinário tesouro.

Que lição maravilhosa, que ensinamento Paulo nos deixou. Esta lição vem nos ensinar que os sofrimentos, as desilusões, as frustrações às vezes nos querem levar ao desânimo, às adversidades, às tristezas, mas acabam por produzir profundas descobertas do Reino de Deus. Então Paulo passa para a igreja de Corinto, que apesar de sua fragilidade de saúde, e de sofrer com mentiras sobre a sua vida pessoal, ser caluniado, sofrer oposições, a despeito de tudo isto, ele, Paulo, como um "vaso de barro" possuía um grande conteúdo que fazia a grande diferença, que lhe dava ânimo para subsistir, que lhe dava ânimo para continuar a suportar as dificuldades.

E ao usar a metáfora de "vaso de barro", nos mostra mais a fragilidade do exterior deste "vaso", mas mostra ao mesmo tempo que a riqueza contida dentro deste "vaso de barro" faz a grande diferença, e é o que deve ter o real valor, capaz de mudar os corações das pessoas, mudar a vida das pessoas. E que este conteúdo capaz de mudar a vida das pessoas, este tesouro dentro do peito de cada crente verdadeiro, dentro do peito de cada ministro do Senhor Jesus, é o conhecimento de Jesus Cristo como Senhor e Salvador de todos os homens. A essência, a grande essência da mensagem é de que: "A despeito da fragilidade dos "vasos de barro" o Senhor torna estes "vasos de barro" recipientes de coisas maravilhosas e de um tesouro indestrutível e valioso que é o Evangelho do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Não, amado, não fique pensando que eu estou me igualando a Paulo, não, realmente não, realmente não estou. Seria muita presunção. Mas o que eu gostaria que você refletisse é que nós, eu e você somos como "vasos de barro", frágeis, vulneráveis, delicados, moldados pela mão do oleiro que é o nosso Deus. Que dentro de nós está algo mais precioso que é o Evangelho. E que muitas vezes como "vasos de barro" Deus nos quebra e nos refaz para sermos a cada dia melhores.

Nesta situação em especial em que fui mal entendida, eu como vaso de barro me quebrei, refleti e tive a humildade de aceitar que errei e, se foi involuntário, aceito a crítica e tive a humildade de pedir perdão. Tive então a confirmação mais uma vez de que na nossa Bíblia temos sempre a Palavra certa, no momento certo. Por isso somos "cacos de vasos de barro". E enquanto formos nós ainda soberbos, enquanto ainda não tivermos ouvidos para ouvir uma crítica, enquanto ainda não tivermos a humildade de pedir perdão (com razão ou sem razão), enquanto ainda não tivermos mais a delicadeza e a gentileza para com o nosso irmão achando que ainda somos superiores, então está na hora do nosso oleiro, o nosso Deus, nos quebrar e nos refazer.

E só vamos e só conseguimos crescer nas adversidades, nas dificuldades, só conseguimos crescer com uma doença grave nos atacando, só conseguimos crescer com o desemprego, só conseguimos crescer com a derrota profissional, só conseguimos crescer com a morte da nossa esposa, ou com a morte do marido e, por fim, só conseguimos crescer com a morte de um filho. Assim como nós crescemos com a morte dos nossos pais. A frustração, o estado de impotência é tão grande, que aí e só aí caímos na real de que não somos nada, e que nada depende de nós. Então aí somos quebrados, o chão nos é tirado dos pés e somos inutilizados, somos relegados à classificação de pó, que para nada servimos e os joelhos tombam, mas tombam mesmo, e então os joelhos se dobram mas não ainda o suficiente, e é somente no Evangelho que achamos as respostas, e que reencontramos o nosso Oleiro que é Jesus, que é o nosso Deus, que nos refaz e nos dá a sua Graça e nos dá a sua Paz.

Então, meu amado, minha amada, se você é que nem eu, perfeccionista, detalhista, cuidando para não errar com ninguém, se cercando de todas as formas para não errar, pode ter certeza que vai ter o dia que por um descuido, ou não, tu vais ser falho. Ou seja, você é falível, você é passível de erros. Que você, assim como eu tive uma pessoa que me corrigiu, tenha uma pessoa na sua vida que possa te chamar a atenção, possa te corrigir para tu melhorares.

O desejo do meu coração é de que você se permita ser um "vaso de barro", que todos os dias da sua vida você tente corrigir suas imperfeições.

Que Jesus na sua infinita misericórdia e bondade interceda por mim, por ti junto ao nosso Deus para que Ele nos perdoe e faça de cada um de nós a cada novo dia um vaso novo cheio do bálsamo e do óleo do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Amém?


Por Rosângela Bühring
Publicado no Jornal A Notícia do Vale, edição do dia 24 de março de 2010.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Pela Fé

Dias destes, em visita ao hospital, eu conheci uma pessoa que enferma se queixava da dor, da solidão e do abandono em que ela se achava. E eu, a fazendo parar, disse: vamos orar, vamos ter fé e vamos firmemente confiar no Senhor! A pessoa me olhou e disse: “Orar é o que mais faço, nem Deus quer saber de mim”. E baixou os olhos. Eu retruquei: “Vamos orar, mas vamos orar com Fé”.

Fiquei a pensar: parece que foi ontem, mas foi há mais de dois mil anos que Jesus veio para nos salvar e deixou tantos ensinamentos. Mas ainda hoje não aprendemos, não conseguimos assimilar estes ensinamentos. Não conseguimos confiar, ainda não conseguimos acreditar.

O apóstolo Paulo nos ensina na carta aos Romanos 5:1-11: “A justificação pela Fé e Paz com Deus. Sendo, pois, justificados pela Fé, temos Paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela Fé a esta graça, na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.”. A justificação pela Fé nos dá a paz com Deus, a graça, a esperança, a firmeza, as tribulações, o amor de Deus, o Espírito Santo, o livramento da ira, a reconciliação com Deus, a salvação pela vida, a presença de Jesus e o regozijo em Deus.

E quando Paulo nos diz: “mas também nos gloriamos nas tribulações”, ele nos deixa claro que também nas tribulações, ou seja, em todo e qualquer tipo de provação que nos vier afligir, poderemos sim ter através desses sofrimentos a salvação de Cristo. E estas tribulações podem ser de ordem financeira, materiais ou mesmo enfermidades; também circunstâncias difíceis, perseguição, maus tratos. E podemos ainda incluir a solidão, o desamparo aparente.

Muitas vezes em meio às tribulações e às aflições a graça de Deus nos capacita a buscar mais diligentemente a sua face e produz em nós um espírito e um caráter perseverante que nos dão uma força que faz vencer as atribulações da vida. E que pela Fé andemos.

A grande verdade é que a graça de Deus nos capacita a olhar além dos nossos problemas presentes. Nossa ardente esperança em Deus e a certeza garantida da volta do nosso Senhor para estabelecer justiça e piedade nos animam, nos fortalecem e nos fazem viver melhor. Enquanto aqui estivermos, podemos enfrentar tudo, mas tudo, porque temos o amor de Deus derramado em nosso coração pelo Espírito Santo a fim de nos consolar em nossas provações e trazer até nós a presença de Cristo. Esta é uma experiência sempre presente do amor de Deus, que nos sustenta nas horas mais difíceis da tribulação. Mas para o verdadeiro crente a volta de Cristo para nos buscar é certa, e aí está a verdadeira felicidade. E tudo se move pela Fé.

Se nos humilharmos, se pedirmos perdão das nossas faltas, dos nossos pecados, das nossas omissões, seremos sim perdoados, e depois andarmos tão e somente em retidão dentro da Palavra do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo estaremos com as nossas vestes alvas, mais alvas que a neve, lavadas no sangue do Cordeiro, e aí então teremos a Salvação.

Mas para isso temos de ter Fé, confiar no nosso Pai amoroso que tem seus olhos sempre voltados para nós, e então a clamar e orar, orar e clamar, clamar e orar para que seja feita a vontade dEle, e não a minha ou a tua vontade.

Depois que fiz leitura de um versículo e oramos, a pessoa, tendo no rosto um delicado sorriso, segurou na minha mão e disse o quanto se sentia melhor, o quanto a Palavra do Senhor a tinha animado e lhe trouxera um conforto e um amor indescritível.

E eu fiquei a contemplar aquela pessoa com um físico tão forte, tão austero, com traços tão rudes, com o tom de voz tão áspera, mas com uma alma tão sensível, machucada e tão carente da Palavra do Senhor. Ninguém havia lhe falado de um Deus de amor, de um Deus misericordioso, ninguém tinha falado a ela do nosso Jesus que morreu na cruz por nós, mas ressucitou e está vivo, muito vivo entre nós. Realizando as mesmas maravilhas que há dois mil anos atrás.

O desejo do meu coração é que você tenha um verdadeiro encontro com Jesus, que eu e você possamos criar uma oportunidade na minha e na sua vida de pedir perdão a Deus por todas aquelas pessoas que eu ou que você machucou, que eu ou que você humilhou, para que Deus nos perdoe pelas nossas omissões. Que tenhamos este sincero e maravilhoso arrependimento. Tendo pela fé em Cristo Jesus a nossa salvação.

Que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo amado tenha misericórdia de nós e interceda por mim e por ti ao nosso Deus e Pai. Para que Ele que tudo vê, tudo sabe e presente está em todos os lugares me perdoe e te perdoe e te abençoe e me abençoe. Amém?


Por Rosângela Bühring
Publicado no Jornal A Notícia do Vale, edição do dia 17 de março de 2010.

quarta-feira, 10 de março de 2010

O papel da mulher

Lendo a Bíblia eu vejo que no Antigo Testamento as mulheres não tinham uma posição social de respeitabilidade, não eram acreditadas. Porém, a partir do momento em que Deus enviou um Anjo para anunciar a Maria que ela iria conceber e dar à Luz o nascimento do Salvador, tudo mudou. E como.

As mulheres a partir daí sempre tiveram um papel importante no Ministério de Jesus. Maria, a mãe de Jesus, vivenciou a dupla natureza de Jesus: a natureza divina e a natureza humana do nosso Senhor e Salvador. Maria testemunhou a morte de Jesus na Cruz e ficou em oração e jejum até o terceiro dia, quando foi ao encontro de Jesus ressuscitado, juntamente com outras mulheres.

Jesus ratificou, confirmou, validou o papel das Mulheres no Evangelismo. Isso ficou bem evidente na sua interação com a Mulher Samaritana no poço de Sicar.

Aquela Mulher sofrida, discriminada, amargurada por ter tido cinco maridos e o atual não a reconhecer como esposa. Ela era discriminada, humilhada pelos homens, mas principalmente por outras mulheres.

Mas Jesus, na sua infinita bondade, na sua infinita misericórdia e infinita compaixão se aproximou do poço e numa conversa que transcendeu, ultrapassou a realidade imediata que os rodeava, penetrou na esfera dos problemas pessoais daquela Mulher, e Jesus ofereceu a verdadeira “Água Viva” do Amor de Deus. Mesmo sendo ela samaritana.

Sim, a Mulher do poço era samaritana e os judeus, por razões culturais, não se relacionavam com samaritanas. E havia aí mais uma barreira a ser transposta, era impróprio um rabino falar com uma mulher em público.

Mas Jesus escolheu a ela, samaritana, mulher já de vários homens, não sendo reconhecida como tal pelo atual marido. Foi exatamente esta que Jesus escolheu para ser a primeira mulher a levar o testemunho de que Ele é o Messias. Ele escolheu exatamente esta mulher.

E a preocupação de Jesus com esta Mulher foi, portanto, algo revolucionário. Depois daquele encontro ela voltou para a sua cidade e contou a todos o que havia acontecido, e muitos creram em Jesus por consequência do testemunho desta Mulher.

E mais, para você ter a consciência, a certeza que você é sim especial para Deus e seu reino: Deus escolheu mulheres para serem as primeiras testemunhas da ressurreição de Cristo e foi a elas, Maria (mãe de Tiago e José) e Maria Madalena, confiada a sua primeira mensagem aos Discípulos.

A descida do Espírito Santo reforçou ainda mais o papel das Mulheres na evangelização, pois tanto elas quanto os homens receberam poder para testemunhar até os confins da terra.

A fundação da igreja de Filipos envolveu a participação de mulheres. As Mulheres do Novo Testamento foram comissionadas, foram incumbidas, foram chamadas juntamente aos homens para serem a “Luz do Mundo” e em função disso estiveram sempre amplamente envolvidas no Ministério de Evangelização.

Mas não vamos esquecer-nos de mencionar aquelas Mulheres que iam à frente da caravana de Jesus, organizando o lugar e de que maneira eles iriam repousar e descansar. Também organizavam as roupas lavando-as, costurando-as e consertando-as. Assim o era com as refeições, a comida, a água e tudo quanto precisassem a mais para que Jesus e seus apóstolos realizassem o Ministério da Evangelização.

A Palavra do Senhor em Provérbios 19:14 nos ensina assim: “ A casa e a fazenda são a herança dos pais; mas do Senhor vem a mulher prudente”.

Por isso, amada irmã, não se apegue a uma data, como o Dia Internacional da Mulher. Jesus nos chamou para estarmos, sermos atuantes, importantes em cada momento de nossa vida. Não, não em papéis secundários junto à Obra do Senhor, mas estarmos todos os dias, em todos os momentos, sendo importantes como a “Luz do Mundo”.

Talvez você esteja se sentindo como a mulher de Samaria, rejeitada, discriminada, doente mentalmente pelas humilhações, pelos constrangimentos. Mas eu te asseguro, minha amada, para ti, especialmente para ti, sim, Jesus tem um carinho, um amor tão grande que morreu na Cruz por ti e por mim. Um amor que nos constrange, que nos faz pensar, que nos faz amar o nosso semelhante a cada momento de nossas vidas. Tome da “Água Viva” que Deus tem para te oferecer.

Assim como os apóstolos você é uma missionária. Sim, missionária é toda a pessoa que tem sob sua responsabilidade uma missão. Você então é uma missionária, uma missionária que tem uma missão com sua mãe, com seu pai. Você tem sobre você a responsabilidade de criar seus filhos. Isto é uma missão. No seu trabalho você tem a cada dia uma missão diferente. Faça com amor, faça com dedicação, faça com autoridade.

Então, missionária, você é muito importante no plano de vida de toda e qualquer pessoa, não desanime, não se sinta abandonada, não se sinta sozinha, você tem um Deus que mandou seu filho unigênito morrer na Cruz por todas nós, para nossa salvação.

O desejo do meu coração é que você não coloque a sua felicidade na dependência de ter um namorado, um companheiro, ou um marido ao seu lado. Não coloque a sua felicidade na simpatia da vizinha, ou do vizinho, não coloque a dependência da sua felicidade no seu chefe ou no cargo que você ocupa. Não coloque a sua felicidade na dependência da disposição do seu filho ou atenção do seu marido. Por fim, não coloque a sua felicidade na dependência do carro com que você anda, ou na roupa que você usa.

Você entendeu, minha amada? Coloque a sua felicidade na dependência da sua determinação de ser feliz, só depende de você.

Coloque tudo nas mãos de Deus. Deixe Deus conduzir a sua vida.

Provérbios 31:30 nos ensina: “Enganosa é a graça, e vaidade, a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”.

Que Jesus na sua infinita bondade interceda por mim e por ti, e nos faça crescer como pessoas, como seres humanos, e que possamos ser missionárias da Obra do Senhor no nosso Lar, no nosso trabalho, junto à nossa vizinhança, na comunhão com os irmãos na igreja. Enfim, seja feliz. Independente de uma data.

Não pense com o que eu já escrevi que eu não seja a favor da data de homenagear a mulher, eu apenas estou colocando que o nosso dia independe de uma data pré-estabelecida, que o nosso papel de mulher deve ser reconhecido todos os dias. Todos os dias a ganhar rosas do marido, todos os dias ganhar um presentinho (mimoso, pequenininho), mas dado com amor, carinho e reconhecimento.

O perigo das datas pré-estabelecidas é que às vezes as pessoas só demonstram o amor que têm umas pelas outras apenas nas datas fixadas e impostas. Amém?


Por Rosângela Bühring
Publicado no Jornal A Notícia do Vale, edição do dia 10 de março de 2010.